Disfonia
CLÍNICA DA VOZ
Compreendendo os distúrbios da voz: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento. Cuidados médicos especializados combinados com reabilitação vocal no CALYP.
DEFINIÇÃO
Definição da disfonia
A disfonia é um distúrbio da voz que pode afetar sua intensidade, altura e timbre.
Pode ter várias causas: inflamatória, traumática, tumoral ou neurológica.
A disfonia é um distúrbio da voz falada que apresenta vários sintomas:
- A intensidade da voz é modificada, a intensidade sonora da voz é alterada
- A altura da voz é diferente, com uma voz mais grave nas mulheres ou mais aguda nos homens;
- O timbre da voz é alterado, com uma voz rouca, velada ou áspera.
- A disfonia aparece de forma brusca ou progressiva, com uma sensação de desconforto que varia de pessoa para pessoa.
Em cantores profissionais ou pessoas que utilizam muito a voz, frequentemente leva à interrupção da atividade profissional.
Entre as disfonias, destaquemos a disfonia espasmódica, que geralmente surge entre os 45 e 50 anos, requer trabalho psicológico e cujas causas ainda não foram completamente esclarecidas.
CAUSAS
As causas da disfonia
Quando as vibrações das cordas vocais estão alteradas, falamos de disfonia. Na maioria dos casos, o exame clínico revela uma lesão, uma inflamação ou outra alteração.
Entre as causas da disfonia encontram-se:
- inflamações agudas ou crônicas
- tumores benignos ou malignos
- diferentes traumatismos, nomeadamente ao nível da laringe, por exemplo após uma cirurgia da tireoide
- distúrbios neurológicos, causados pelo comprometimento de determinados nervos específicos
As causas de origem inflamatória
Em numerosos casos, este distúrbio da voz pode ser a consequência de uma laringite, uma inflamação que afeta a laringe.
- A laringite aguda do adulto, frequentemente de origem infecciosa ou traumática, que aparece de forma bastante abrupta e dura de alguns dias a algumas semanas;
- A laringite crônica, majoritariamente devida ao tabagismo, mas que também pode surgir em caso de alcoolismo, irritação por vapores ou poeira, sobrecarga vocal, infecções faríngeas ou infecções rinossinusais repetidas;
- As laringites específicas, inflamações raras da laringe, entre as quais a tuberculose laríngea, a sífilis laríngea, a sarcoidose laríngea e as micoses laríngeas.
As causas de origem tumoral
Em certos casos, a disfonia pode ser consequência de tumores ao nível da garganta:
- tumores benignos, como os tumores glóticos e os tumores supraglóticos;
- tumores malignos, ou cânceres de garganta, como o câncer das cordas vocais, o câncer supraglótico ou o câncer subglótico.
As causas de origem traumática
A disfonia pode ser provocada por diferentes traumatismos ao nível da laringe, tais como:
- um traumatismo externo da laringe, nomeadamente durante uma contusão, uma fratura ou uma luxação;
- um traumatismo interno da laringe, nomeadamente por um granuloma pós-intubação (tumor de natureza inflamatória que se manifesta após uma intubação) ou uma artrite cricoaritenoideia (inflamação das articulações cricoaritenoideas presentes ao nível da laringe);
- as sequelas de uma cirurgia parcial da laringe.
As causas de origem neurológica
Vários distúrbios neurológicos podem explicar o surgimento de uma disfonia. Entre estes distúrbios figuram:
- a paralisia laríngea devida a uma lesão do nervo motor, nomeadamente em caso de lesões pós-operatórias ou de um tumor ao nível da tireoide, da traqueia ou do esôfago;
- as neuropatias diabéticas, que são complicações do diabetes;
- a síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso periférico;
- a esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central;
- os acidentes vasculares do tronco cerebral.
Quais são as consequências?
De modo geral, uma pessoa que apresenta disfonia experimentará dificuldades para falar ou se expressar com a voz falada ou cantada.
Os distúrbios podem desaparecer ou piorar; conforme o caso, o cirurgião ORL proporá uma solução cirúrgica ou de reabilitação.
Sou cantor e sinto os sintomas da disfonia
A busca por um atendimento médico imediato é a prioridade para não permitir que a situação piore.
É fortemente desaconselhado continuar uma atividade vocal sem parecer médico.
Convém notar que alguns foniatras aceitam consultas de urgência, outros não. Arme-se de uma lista e de um telefone!
De modo geral, só se pode aconselhar aos profissionais que utilizam a voz que façam visitas regulares a um especialista.
Nódulos, pólipos, edemas, disfonia: doenças das cordas vocais, o pesadelo dos cantores
Quem não ouviu falar dessas famosas patologias benignas que, embora não coloquem nossa vida em perigo, são sinônimo de uma interrupção momentânea da carreira?
Mesmo que raramente ouça cantores falarem de seus problemas vocais, dado o número de operações realizadas em todo o mundo, o número é muito maior do que nos querem fazer crer.
Os cantores não são os únicos afetados, pois também se contam crianças ou pessoas que utilizam muito a voz, como professores de escola que a danificaram.
Sintomas de uma lesão e/ou doença das cordas vocais
O surgimento de uma lesão caracteriza-se por sintomas bastante reconhecíveis: redução da extensão vocal, volume sonoro menos importante, dificuldade em fazer vibrar as cordas vocais ao falar e/ou cantar, timbre diferente do anterior e, sobretudo, não retorno à normalidade após repouso vocal.
Os cantores frequentemente percebem uma patologia como um nódulo ou pólipo apenas quando já está instalada.
A atitude do professor de canto diante de um problema de voz e/ou uma doença das cordas vocais
É responsabilidade do coach vocal e/ou do professor de canto verificar que a técnica ensinada é conforme ao funcionamento do aparelho fonatório.
Pudemos constatar que, muito frequentemente, o cantor se vê abandonado pelo seu entorno no momento do diagnóstico: os professores, por medo de serem julgados culpados, transferem para o cantor sua própria responsabilidade.
Os maus hábitos vocais podem provocar uma lesão nas cordas vocais
Com o risco de desagradar, o papel de um professor é alertar o cantor de que seus hábitos vocais podem — se inadequados ou mesmo perigosos — levar a uma interrupção total da prática vocal e exigir uma intervenção cirúrgica.
DIAGNÓSTICO
O balanço vocal: um exame obrigatório para evitar doenças das cordas vocais
É essencial que os professores encaminhem seus alunos para controles regulares com um especialista.
No entanto, o surgimento de um nódulo ou pólipo não anuncia o fim de uma carreira. Essa patologia, por mais desagradável que seja, pode ser tratada por reabilitação e/ou intervenção cirúrgica.
O verdadeiro problema é a fase pós-operatória: como fazer para não retomar o gesto vocal forçado que é responsável pela doença das cordas vocais.
Alguns cirurgiões como o doutor Perouse, o doutor Coulombeau, a doutora Malitchenko e o doutor Jacobs prescrevem uma reabilitação vocal antes da operação para preparar o paciente a rever e corrigir seu gesto vocal.
A reabilitação vocal: da voz falada à voz cantada
Se os fonoaudiólogos são formados para resolver os problemas da voz falada, é contudo complicado para eles resolver os problemas da técnica vocal cantada.
Após numerosas discussões com cirurgiões renomados, percebemos que o trabalho com o fonoaudiólogo é fundamental, mas que frequentemente o problema surge por gestos vocais inadequados ou mesmo perigosos na prática do canto: por exemplo, cantar muito alto ou em um repertório inadequado.
Segue-se uma espécie de trauma psíquico que impede o cantor de reencontrar o palco e sua carreira em boas condições.
CUIDADOS ESPECIALIZADOS
A equipe do Centre d'Art Lyrique de Paris: uma resposta inédita aos problemas de voz e às doenças das cordas vocais
No Centre d'Art Lyrique de Paris, reunimos vários médicos especialistas que, animados por um mesmo objetivo — oferecer soluções às pessoas que sofrem de uma patologia das cordas vocais — trabalham juntos para a cura das doenças das cordas vocais.
O acompanhamento médico dos distúrbios da voz passa pela consulta de especialistas (cirurgião ORL, foniatra), complementada por outras especialidades: acompanhamento psicológico, fonoaudiologia, aulas de técnica vocal, acompanhamento osteopático e fisioterapêutico, etc.
Você pode consultar a lista dos especialistas que são membros do CALYP-Centre d'Art Lyrique de Paris ou que participam ativamente no acompanhamento dos pacientes.
O Doutor Perouse (cirurgião ORL), o Doutor Albert Jacobs (cirurgião ORL), o Doutor Coulombeau (foniatra), a Doutora Natalie Malitchenko (foniatra), o Doutor Jean Charmoille (médico-psiquiatra, psicólogo e psicanalista), Maryse Beaupied (osteopata/etiopata) são especialistas de confiança que trabalham juntos pela cura dos pacientes.
Esta equipe é orquestrada por nossa presidente Adeline Toniutti, coach vocal de renome, apaixonada tanto pela fisiologia do aparelho fonatório e pelas diferentes técnicas vocais quanto pela interpretação e direção cênica.
DOCUMENTÁRIO
Operação Ópera: documentário em imersão na sala de cirurgia ORL
Documentário filmado na Clinique des Portes du Sud em Vénissieux em 2017, Operação Ópera trata de patologias mais complexas (cistos abertos, sulcus com pontes mucosas) e propõe uma imersão total na sala de cirurgia do doutor Perouse e dos membros do CALYP.
O colóquio internacional da voz pelo CALYP
O CALYP organizou dois colóquios internacionais sobre a voz, o canto, a medicina e a psicanálise — em 2022 e 2023 — reunindo médicos, artistas e especialistas em torno das questões da voz e das patologias.
As diferentes técnicas vocais: do belting à voz lírica
Passar de uma técnica a outra, poder explicá-la e ensiná-la com segurança é uma das preocupações principais de nossa técnica da voz Adeline Toniutti.
Por que criar barreiras estanques entre todas essas técnicas vocais que são tantos vetores de expressão apreciados por todos?
Por que se privar de experimentar uma ou outra? Por que deveria ser proibido a um cantor lírico experimentar o jazz — sobretudo mantendo a estética inicial — isto é, sem utilizar sua voz lírica?
Nos Estados Unidos, a barreira é mais permeável e permite aos artistas experimentar várias técnicas.
Na França, devemos nos esconder para experimentar uma ou outra.
Diremos que é todo o sistema francês que leva os professores a se especializarem e que obriga, ao mesmo tempo, os cantores a criarem uma bolha artística, separada de grande parte do mundo musical. Luciano Pavarotti compreendeu bem isso e estendeu a mão aos artistas de «variedades» em sua época, tornando-se assim o tenor mais conhecido pelo grande público.
Hoje em dia, sem pretender ser excelente em todos os campos, alguns grandes cantores fazem incursões em diferentes estilos e nos mostram que se trata de uma experiência enriquecedora para eles e para o público:
Citemos Céline Dion, que experimentou algumas notas de Carmen de Bizet, Natalie Dessay, grande estrela francesa da ópera que canta Michel Legrand, ou ainda Lady Gaga, que se diverte variando sons vibrados e sons muito «belting» em suas canções.
O coach vocal: um papel cada vez mais diversificado
A exemplo de Emmanuel Macron, que foi «coacheado» por um cantor de ópera conhecido, os executivos seniores recorrem cada vez mais a coaches vocais para melhorar suas apresentações orais, sejam elas em público ou em comitê restrito.
Dominar a voz é desenvolver a liderança. Não é preciso explicar o quanto a voz utiliza a respiração e o quanto ela comunica sobre nosso interlocutor.
Dominar a voz é assegurar-se de comunicar verdadeiramente seu pensamento à audiência, seja ela experiente ou não.
Controlar o ritmo da fala, ajustar o tom, utilizar posturas físicas permitem aos dirigentes comunicar dentro de sua empresa e estimular todas as equipes para atingir os objetivos.
Adeline Toniutti propõe inclusive jogos de papel que consistem em encenar uma situação que causou problemas ao dirigente, para compreender a anomalia e corrigi-la.
Este trabalho pode ser associado a um trabalho psicológico e a um trabalho lúdico com sons cantados.